sábado, 23 de janeiro de 2010

MONOGRAFIA- TDAH- HIPERATIVIDADE




UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARÁU
Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica

FRANCISCA LUCIA CARLOTA DE ARAÚJO


TRANSTORNO DE DEFÍCIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE- TDAH



SOBRAL- 2008
Francisca Lúcia Carlota de Araújo



TRANSTORNO DE DEFÍCIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE- TDAH



Monografia apresentada à Universidade Estadual Vale do Acaraú como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica.
Orientadora: Profª. MS Rosana Sólon Tajra




SOBRAL - 2008
FRANCISCA LÚCIA CARLOTA DE ARAÚJO

TRANSTORNO DE DEFÍCIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE- TDAH

Monografia apresentada à Universidade Estadual Vale do Acaraú como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica.


Monografia aprovada em _____ / _____ / ______
Orientador: _________________________________
Prof. MS. ....................................(UVA)

1º Examinador : _____________________________
Prof. . ...................................
2º Examinador : _____________________________
Prof. . ....................................



Coordenador do Curso
______________________________
Prof. Ms ................................................
DEDICATÓRIA


Aos meus filhos Rafael e Bruno que, estão ao meu lado em todos os momentos da minha e vida e pela a compreensão nos meus momentos de stress provocada pelo o dia–a-dia.
Aos meus netos(as) Cauã Felipe e Bruna Rafaely que, ainda em sua inocência e sua agitação de criança me ajudaram a entender o comportamento infantil.
Aos meus alunos, muitos com sérios problemas de impulsividade e atenção que me fizeram entender melhor o comportamento agitados de crianças, dando-me oportunidade de comparar seus comportamentos com as características de uma criança com TDAH.
A minha querida mãe Ana Carlota (in memória) sonhava em ver-me formada e que me faz uma grande falta para continuar me orientando.
A minha querida irmã Maria Tide (in memória) a qual sinto uma profunda saudade.


AGRADECIMENTOS


A Deus acima de tudo, que nos momentos difíceis da minha existência me ajuda a superar as dificuldades da vida, fazendo-me acreditar que vale a pena viver, sonhar e ter esperança.
À professora mestra Rosana Sólon Tajra, pela sua capacidade como orientadora, dando-me apoio, compreensão, nas minhas dificuldades, transformando a tarefa de elaboração desse trabalho numa caminhada de prazer.
A todos os professores do Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica que foram capazes de repassar conhecimentos, favorecendo a minha aprendizagem e a certeza de que fiz uma ótima escolha ao iniciar essa especialização a qual, me apaixonei.


“A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda”.
Paulo Freire


RESUMO

Este trabalho, a partir de um estudo bibliográfico, propõe-se a informar de maneira clara e abrangente o que é a hiperatividade, suas causas e tratamento. Relata também os problemas sofridos pelo portador do distúrbio em seu relacionamento familiar e na escola e no convívio social. Com medicamentos, aliado a um acompanhamento médico, psicológico e psicopedagógico, amor, tolerância e disciplina serão capazes de amenizar o TDAH com hiperatividade. A criança com TDAH, em sala de aula, exige atenção por parte do professor e é necessário que este esteja preparado para saber contornar e posicionar o aluno em sala de aula e é de grande importância a cumplicidade da escola com a família para juntos ajudarem a criança. Os pais, juntamente com a criança, devem procurar ajuda de um profissional competente e especializado em TDAH, pois ele é capaz de elaborar um diagnóstico e daí orientá-los a fim de tornar possível a tolerância, a convivência familiar, não deixando que o problema tome uma dimensão sem controle levando a família a um descontrole emocional. Ressaltamos também no decorrer deste estudo o cuidado com o diagnóstico para que não seja equivocado e venha a rotular a criança ou que sejam administradas medicações sem necessidade. Por fim, sugerimos como se fazer um diagnóstico psicopedagógico com intuito de amenizar os problemas de aprendizagem tão comum no indivíduo portador do distúrbio.

Palavra- Chave: Hiperatividade, Aprendizagem, família e Escola


SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO

2. DEFINIÇÃO E HISTÓRICO
3. CARACTERÍSTICAS DA HIPERATIVIDADE
3.1. Causas da Hiperatividade
3.2 Acidente Cerebral
Retardo de Maturação
3.4 ereditariedade
3.5 Quadro Clínico
4. DIAGNÓSTICO
4.1 Tratamento
5. O CONTEXTO FAMILIAR DA CRIANÇA COM TDAH
5.1 A Família Convivendo com o Diagnóstico
5.2 A Interação da Criança com TDAH com suas Mães
5.3 A Interação da Criança com seus Pais
5.4 A Interação da Criança com seus Irmãos
5.5 Recomendações aos Pais da Criança com TDAH
6. O CONTEXTO ESCOLAR EA CRIANÇA COM TDAH
6.1 A Sala de Aula e a Criança com TDAH
6.2 Sugestões para Intervenção do Professor
6.3 A Aprendizagem e o Brincar de Crianças com TDAH
7. PSICOPEDAGOGIA E A CRIANÇA COM TDAH
1 Breve Histórico da Psicopedagogia
7.2 Reflexão Psicopedagógica sobre a criança com TDAH
7.3 Proposta de Diagnóstico Psicopedagógico
8. CONCLUSÃO
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS



1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho busca, através de uma pesquisa bibliográfica, mostrar como são as crianças portadoras do distúrbio Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no contexto familiar e escolar e sua repercussão na dificuldade de aprendizagem. Sabe-se em geral que se associam as dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores.
Adotamos como objetivo para este trabalho informar e facilitar o convívio aluno-escola e família diante de um quadro de TDAH, oportunizando um melhor relacionamento entre a criança escola e pais do portador de TDAH, contornando assim os problemas de aprendizagem e de comportamento social do hiperativo.
A falta de atenção e concentração, como também a excessiva atividade motora em uma criança com TDAH, interfere na aprendizagem levando ao baixo rendimento escolar, como também não conseguem realizar os vários projetos que planejam e são tidos como avoados, vivendo no mundo da lua e são geralmente estabanados.
Segundo Borges (1997), a hiperatividade vem sendo bastante discutida em virtude de acarretar sérios problemas de interação social, hoje em dia é considerado um distúrbio que altera o comportamento e que mais é diagnosticada na escola.
É também associada ao baixo rendimento escolar, porque os pequenos que sofrem desse distúrbio apresentam inúmeras dificuldades de aprendizagem relacionada à atenção e à concentração.
Uma criança mesmo sendo considerada inteligente é muito mal aceita no grupo, porque não consegue parar, levantando-se, anda pela sala de aula distraindo-se perturbando os colegas, impacientando seus professores, promovendo a indisciplina.
Conviver com uma criança hiperativa é muito difícil, pois em sua agitação ela consegue transformar a rotina de todos aqueles que dela se aproxima ou convive no dia-a-dia. O convívio familiar é totalmente alterado, pais, irmãos, professores, muitas vezes ficando sem saber o que fazer.
Sendo o TDAH um distúrbio bastante freqüente na idade escolar, pouco se sabe sobre suas causas, apenas conhecemos suas manifestações sintomáticas, porém é um termo bastante usado para descrever uma criança com o comportamento agitado e desatento (BORGES, 1997).
Segundo a Revista Nova Escola (2004) alunos agitados ou desatentos sempre causam preocupação. Antes de atribuir a eles algum tipo de perturbação, é preciso observá-los atentamente, pois há uma série de componentes sociais que também levam uma criança a manifestar-se de modo não convencional.
O TDAH é considerado um distúrbio psiquiátrico, portanto, e na escola os indícios que uma criança possui esse mal precisam ser registrados por no mínimo seis meses antes de encaminhar o aluno a um possível tratamento.
De acordo com a Revista Nova Escola (2000), os professores que têm alunos hiperativos precisam de paciência e disponibilidade e principalmente conhecimento sobre TDAH, pois eles exigem tratamento diferenciado, mais atenção e uma rotina especialmente estimulante para estimular e desenvolver a capacidade de atenção da criança. Valorizando assim seu potencial.


2 DEFINIÇÃO / HISTÓRICO
O termo hiperatividade refere-se a um dos distúrbios de comportamento mais freqüentes na idade escolar caracterizado por um nível de atividade motora excessiva e crônica, déficit de atenção e falta de auto-controle.
De acordo com Goldstein (1996), em diversos momentos do século XX, tem-se referido a tais crianças como acometidas de inquietação, falha de controle moral, disfunção cerebral mínima, distúrbio pós-cefálico, reação hipercinético da infância, distúrbio de falta de atenção e distúrbio de atenção por hiperatividade, e mesmo que os rótulos tenham mudado o mesmo não acontece com o problema o qual permanece ao longo dos anos.
Mesmo tendo sido conhecido desde o último século, e sido estudado exaustivamente, ainda hoje não se conhecem as causas concretas que ocasionam esse problema.
Acredita-se que a causa mais provável é a hereditariedade e que a doença atinge mais meninos que meninas. Não tem cura, mas pode ser controlada desde a infância, e o problema atenua-se na adolescência, e quando isso não acontece esses indivíduos tornam-se, adultos instáveis e depressivos com tendência a marginalidade.
Conforme Borges (1997), o comportamento agitado da criança que antes era tolerado pela família passa a ser inconcebível quando ela inicia a escolarização, por ser a escola o primeiro espaço estruturado e com regras de comportamento e regras.
É a escola que geralmente encaminha essas crianças aos consultórios médicos e psicólogos, tentando enquadrá-las no esquema de ensino e aprendizagem, pois as dificuldades da criança tende a se acentuar na escola, porque ela se mostra excessivamente ativa, demonstrando dificuldade a motivação, e a capacidade de esperar, também tende a acentuar o mau rendimento escolar ocasionando mudança de escola e até evasão escolar.
Para Roucek (1973), quando os pais e professores declaram que a criança é desatenta estão referindo-se que a mesma criança não presta atenção, é descuidada, não é observadora, é distraída ou é negligente, sem grande preocupação significativa.
Observa-se, também, que muitas crianças com alguma das características da síndrome são consideradas e tratadas como hiperativos, e que crianças com hiperatividade não são tratadas.
De acordo com a literatura especializada, para ser considerada hiperativos uma criança deve manifestar um certo número de comportamento em pelo menos seis meses.
Um diagnóstico minucioso da hiperatividade na infância deve incluir oito tipos de informações: histórico, inteligência, personalidade, desempenho escolar, amigos, comportamento na sala de aula, consulta médica (Goldstein, 1992, p. 43).
Segundo Patt (1991), a criança hiperativa é sempre candidata ao fracasso escolar, pois seu comportamento é turbulento e suas dificuldades de aprendizagem fogem à norma escolar e ao que é esperado de um bom-aluno.
Ressalta Wallon (1971), que é preciso compreender que por trás da descarga impulsiva existe a expressão das necessidades múltiplas da criança que reclama de afeto, ajuda e compreensão.
Silva (2004), em sua monografia, acredita que as escolas deixam muito a desejar, confundindo TDAH com indisciplina e destaca que a sala de aula deve ser organizada e estruturada, e que o professor deve estar preparado para receber uma criança portadora de TDAH e a avaliação deve ser freqüentemente e imediata, procurando valorizar o potencial e habilidades da criança.
Afirma Melvin (1990) que o quadro de hiperatividade é mais freqüente em crianças primogênitas e que o estresse e transtorno psiquiátrico na família aumenta o risco do aparecimento dos sintomas do TDAH.
O tratamento é multidisciplinar e compreende conversas com a criança e a família, consultoria escolar, mudanças ambientais e medicação.
Em casos leves o distúrbio pode ser tratado apenas com terapia e reorientação pedagógica, e em casos graves necessitam de tratamento com medicamentos que deve durar até a adolescência.
Informa Goldstein (1996) que pais de crianças hiperativas devem possuir uma compreensão realista dos tratamentos médicos e não médicos adequados, e que não existe cura, porém, pais e educadores, podem encontrar formas para ajudá-los a serem bem sucedidos.
Nem sempre os pais admitem que o filho é hiperativo, muitos acham que a criança é esperta e está sempre interessada em novidades.
É importante que os pais busquem terapia para adquirirem informação e apoio, diminuindo assim o sentimento de frustração e isolamento que atinge à família. É aconselhável que os pais não se prendam demasiadamente ao problema da hiperatividade da criança, faz-se necessário um descanso, ocupando-se de outras atividades prazerosas a fim de amenizar o desgaste emocional que é uma constante na vida familiar, como também incentivar a criança a participar de projetos de seu interesse contribuindo, assim, com uma melhoria na concentração.
O papel da escola é fundamental na observação da criança hiperativa, pois geralmente ela costuma nos intervalos se meter em brigas, ou brincar quase sempre sozinha, tenta chamar atenção ou se comporta como se fosse alienada.
As meninas que sofrem da doença são mais distraídas, falam demais ou simplesmente se isolam. Os meninos não conseguem manter amizades por muito tempo são agitados e interrompem a aula constantemente.
Na idade escolar, a criança hiperativa
começa a se aventurar no mundo e já não tem à família para agir como amortecedor. O comportamento, antes aceito como engraçadinho ou imaturo, já não é tolerado... Ela precisa agora aprender a lidar com regras a estrutura e os limites de uma educação organizada e seu temperamento simplesmente não se ajusta muito bem as expectativas da escola. (GOLDSTEIN, 1996, p. 106)
Um dos fatores que mais dificultam o rendimento escolar da criança hiperativa é o déficit de atenção, pois todo momento na classe sua atenção é requisitada pelos colegas e professores. Se a criança hiperativa tem dificuldades de atenção, toda sua aprendizagem pode estar comprometida.
Sua atenção é flutuante, pois qualquer ruído ou movimento a impede de concentrar-se no que começou a fazer. A criança não consegue memorizar bem e tudo que aprendeu deve ser ensinado no dia seguinte.
Quanto mais o professor: “exige a atenção, mais aumenta a tensão emocional e se reduz sua capacidade de prestar atenção” (BORGES, 1997, p. 88).
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3 CARACTERÍSTICAS DA HIPERATIVIDADE
As características do TDAH aparecem bem cedo para a maioria das pessoas, logo na primeira infância. O distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos, com duração de no mínimo seis meses, que se instalam definitivamente antes dos sete anos. De acordo com Sam Goldstein (2006) o T.D.A.H. é classificado a partir de quatro formas:
Forma Hiperativa/Impulsiva – É caracterizada por pelo menos seis dos seguintes sintomas, em pelo menos dois ambientes diferentes:
• Dificuldade em permanecer sentada ou parada;
• Corre sem destino ou sobe excessivamente nas coisas;
• Inquietação, mexendo com as mãos e/ou pés, ou se remexendo na cadeira;
• Age como se fosse movida a motor, “elétrica”;
• Fala excessivamente;
• Dificuldade em engajar-se numa atividade silenciosamente;
• Responde a perguntas antes mesmo de serem formuladas totalmente;
• Interrompe freqüentemente as conversas e atividades alheias;
• Dificuldade em esperar sua vez (fila, brincadeiras).
Sabe-se que a criança com esta forma do distúrbio tem grande dificuldade de seguir regras mesmo entendendo e conhecendo as regras propostas.
Forma Desatenta – a criança apresenta pelo menos seis das seguintes características:
• Dificuldade em manter a atenção;
• Corre sem destino ou sobe excessivamente nas coisas;
• Distrai-se com facilidade, “vive no mundo da lua”;
• Não enxerga detalhes ou comete erros por falta de cuidado;
• Parece não ouvir;
• Dificuldade em seguir instruções;
• Evita/não gosta de tarefas que exigem um esforço mental prolongado;
• Dificuldade na organização.
Ressaltamos que as crianças desatentas têm dificuldades de se concentrarem em tarefas e prestar atenção se comparados com os colegas, em sala de aula tem grandes dificuldades de focalizar e manter a atenção de forma apropriada comprometendo assim o aprendizado.
• Freqüentemente perde ou esquece objetos necessários para uma atividade;
• Esquece rápido o que aprende.
Forma Combinada ou Mista – é caracterizada quando a criança apresenta os dois conjuntos das formas hiperativa/impulsiva e desatenta. Existem ainda outros critérios que devem ser levados em conta, tais como:
• Persistência do comportamento há pelo menos seis meses. Início precoce (antes dos 7 anos);
• Os sintomas têm que ter repercussão na vida pessoal, social ou acadêmica;
• Tem que estar presente em pelo menos dois ambientes;
• Freqüência e gravidade maiores em relação a outras crianças da mesma idade;
• Idade de 5 anos para diagnóstico.
Tipo não específico – a pessoa apresenta algumas características, mas em número insuficiente de sintomas para chegar a um diagnóstico completo. Esses sintomas, no entanto, desequilibram a vida diária.
Como afirma Kaippert et al, (2003 ), na idade escolar, crianças com TDAH, apresenta uma maior probabilidade de repetência, evasão, baixo rendimento acadêmico e dificuldade emocionais e de relacionamento social, e pessoas que apresentam sintomas de TDHA na infância têm uma maior probabilidade de desenvolver problemas relacionados com comportamento.
3.1 Causas da Hiperatividade
Ao longo de todos esses anos, estudos têm procurado encontrar uma causa provável, que ofereça melhores chances de aplicar um tratamento. Conceitos como lesão, disfunção ou síndrome, são tentativas de reunir as múltiplas manifestações no comportamento que fazem parte dos sintomas. As pesquisas têm mostrado a complexidade desse problema e muitas suposições e que até agora nenhuma conclusão definitiva, contudo, temos várias causas para explicar o transtorno:

3.2 Acidente Cerebral
Nos anos 60 e 70 pensava-se que a hiperatividade era decorrente de lesões ocorridas durante o parto, essa noção perdurou por muito tempo, buscando–se determinar até que ponto problemas durante o trabalho de parto e o nascimento poderiam ser causadores da hiperatividade. Crianças que sofriam de epilepsia ou paralisia cerebral corriam o risco cinco vezes maior de desenvolver o distúrbio, mas não ficou provado que o distúrbio tinha sua origem na lesão.
Outro fator que tem sido muito citado na literatura é a intoxicação por chumbo, sabe-se que a intoxicação grave por chumbo causa uma encefalopatia, e ocasiona na fase de recuperação certas dificuldades como: agitação, e a desatenção.
Quando o chumbo era ingerido por crianças que comiam pedacinhos de placas contendo chumbo das paredes de casas e apartamentos mais antigos, ocorria envenenamento por chumbo, uma doença grave, e muitas vezes fatal. Muitas crianças morreram em conseqüência de edema cerebral. Algumas das crianças que sobreviveram aos graves episódios iniciais desenvolveram problemas de aprendizagem e comportamento. (GOLDSTEIN & GOLDSTEIN 1996, p.59)

3.3 O Retardo na Maturação
Segundo Borges (1996), as crianças hiperativas dão a impressão de falta de maturidade, apesar da inquietação, teimosia e agressividade dão sempre a impressão de imaturos e frágeis, apresentam sinais neurológicos menores, que são considerados como sinais de retardo de maturação neurológica. Essas crianças são descritas como desajeitados ou incapazes de segurar uma bola ou amarrar os sapatos, abotoar uma camisa ou segurar um lápis.
Afirma Silva (2004) que nos anos 30 observava que drogas estimulantes (metilfenidato e permolina) aumentavam o nível de catecolaminas no cérebro, normalizando temporariamente o comportamento de crianças hiperativas e com fraco controle de impulsos.
Conforme Silva (2004), esse distúrbio é de origem genética e é causado pela pouca produção de catecolominas (adrenalina e noradrenalina, que são neurotransmissores de diversos controles neurais do cérebro, incluindo aqueles responsáveis pela a atenção, comportamento motor e a motivação).

3.4 Hereditariedade
Afirma Borges (1997) que a hereditariedade pode ser relacionada à hiperatividade e diz que a primeira ligação foi estabelecida pelo estudo de parentes de uma criança hiperativa e que essas crianças têm probabilidade quatro vezes maior de possuir outros membros da família com o mesmo problema e diz que o relacionamento entre esses indivíduos e suas famílias englobam também fatores ambientais.
Goldstein &; Goldstein (1996), ressaltam que o ambiente não tem muita relação e interferência na hiperatividade, para os autores, a hiperatividade está relacionada com a hereditariedade e dizem isso com segurança, pois estudos com gêmeos idênticos em comparação com gêmeos fraternos é a demonstração mais cabal do fator hereditário como causa subjacente de hiperatividade.
3.5 Quadro Clínico
O aparecimento dos sintomas se dá comumente entre 3 e 7 anos de idade, mas pode surgir antes, apesar de normalmente não ser diagnosticado até o momento que a criança entra na escola. Não há características físicas específicas no TDAH. A sintomatologia tem início antes dos 7 anos de idade
Afirmam Lewis & Wolkmar (1993) que a criança é inquieta e incapaz de permanecer sentada. Às vezes mãos e pés podem estar em movimento constante. A criança é facilmente distraída por estímulos transitórios, tem dificuldades de esperar sua vez, parece ser desorganizada e freqüentemente tem dificuldades de completar uma tarefa e podem ser falantes, porém com dificuldade de modelar sua voz.
O marco desse quadro é: desatenção, hiperatividade e impulsividade, além desses podem ser acrescentados as dificuldades na conduta e ou/ problemas de aprendizado associados a discretos desvios de funcionamento do sistema nervoso. Independentemente do sistema classificatório utilizado, as crianças com TDAH são facilmente reconhecidas em clínicas, escolas, e, em casa, é importante salientar que a desatenção, a hiperatividade ou impulsividade como sintomas isolados podem resultar de muitos problemas na vida de relação das crianças (com pais e/ou colegas e amigos) de sistemas educacionais inadequados, ou podem estar associados a outros transtornos comumente encontrados na infância e adolescência. Portanto, para o diagnóstico do TDAH, é sempre necessário contextualizar os sintomas na história de vida da criança.
Algumas pistas que indicam a presença do distúrbio são:
1. Duração dos sintomas de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade. Normalmente, crianças com TDAH apresentam uma história de vida desde a idade pré-escolar com a presença de sintomas;
2. Freqüência e intensidade dos sintomas;
3. Persistência dos sintomas em vários locais e ao longo do tempo;
4. Prejuízo clinicamente significativo na vida da criança, pois sintomas de hiperatividade e sem prejuízo na vida da criança podem traduzir muito mais estilos de funcionamento ou temperamento do que um transtorno psiquiátrico.
É fundamental verificar se a criança não segue as instruções por não conseguir manter a atenção durante a explicação das mesmas, pois a apresentação clínica pode variar de acordo com o estágio de desenvolvimento. Sintomas relacionados à hiperatividade/impulsividade são mais freqüentes do que sintomas de desatenção em pré- escolares com TDAH.
Além dessas características básicas do quadro clínico, outros problemas são comuns que estejam presentes, como:
1. Problemas de conduta, através de explosões de cólera e passando rapidamente do riso às lágrimas. Seu humor e desempenho são geralmente varáveis e imprevisíveis. Pode apresentar características de forte oposição;
2. Implicações emocionais, tais como hipersensibilidade baixa auto-estima baixa tolerância a frustrações. O Auto-conceito negativo a as reações de agressividade da criança são agravadas pela percepção de não estar sendo aceito.
3. Problemas de socialização, tendo dificuldade nos seus relacionamentos interpessoais, por não aceitar crítica, conselho ou ajuda e ser muitas vezes, tirana;
4. Problemas familiares, em conseqüência das insatisfações e pressões por parte do adulto, pela inadequação do comportamento da criança. Além disso, as dificuldades escolares ou de aprendizagem são fatos que normalmente muitas frustrações trazem aos pais muitas vezes a criança torna-se ponto de discórdia familiar;
5. Comportamento das habilidades cognitivas, manifestando-se em dificuldade de organização, de resolução de problemas, retardo do desenvolvimento da linguagem, na disgrafia, na dislexia, na ortografia, e na discalculia;
6. Problema neurológico quando a criança, em geral, tem incoordenação motora (é desajeitada), tem impersistência (incapacidade de manter determinada postura ou posição por algum tempo), apresenta sincinesias freqüentes, distúrbios da fala (dislalia).





4 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico do TDAH é um processo de múltiplas facetas. Diversos problemas biológicos e psicológicos podem contribuir para a manifestação dos sintomas similares apresentados por pessoas com TDAH. O diagnóstico pede uma avaliação ampla, não se pode deixar de considerar outras causas para o problema, assim, é preciso estar atento à presença de distúrbio concomitante. O aspecto mais importante do processo do diagnóstico é um cuidadoso histórico clínico e desenvolvimento. A avaliação do TDAH inclui um levantamento do funcionamento intelectual, acadêmico, social e emocional. O exame médico é de extrema importância para esclarecer possíveis causas semelhantes.
O processo diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que de alguma maneira interagem de maneira rotineira com a pessoa que está sendo avaliada. Diagnósticos apressados e equivocados poderão deixar pessoas mal educadas ficarem à vontade para serem mal educados, sob o pretexto de que estão dominados pelo TDAH, assim facilitando a aceitação do seu comportamento não convencional.
Um diagnóstico correto poderá ajudar elevar sua concentração, superar problemas de relacionamento, ajudá-la na orientação evitando assim envolvimentos com a delinqüência. Muitos pais demoram muito a procurar ajuda ou não aceitam um diagnóstico de hiperativo, por achar que é coisa de idade, que toda criança é agitada e isso irá passar. Porém, quando o distúrbio demora a ser diagnosticado, a partir de sua puberdade, pode procurar as drogas, álcool, a fim de superar suas dificuldades em adaptar-se à vida.
Para fazer um diagnóstico, é necessário um psiquiatra, que deverá fazer um rol de perguntas com os pais e pessoas do seu convívio como professores, empregados e outros que mantêm contato com o suposto hiperativo.
De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Eletroencefalograma, Mapeamento Cerebral, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética evocada não podem fornecer este diagnóstico.
Segundo Goldstein (1994), um diagnóstico minucioso da hiperatividade na infância deve incluir um histórico da família e do desenvolvimento do seu filho. As informações do histórico relativas a outros problemas que a família teve, os métodos para impor a disciplina, ou sinais precoces de temperamento difícil, as lembranças dos pais sobre os acontecimentos da vida da criança, são fundamentais para o diagnóstico. Essa coleta de dados deve incluir: Histórico, Inteligência, Personalidade Desempenho escolar, Amigos, Disciplina e comportamento em casa, Comportamento em sala de aula. É importante para os pais entenderem que não há nenhum resultado ou observação isolada que confirme ou exclua o diagnóstico de hiperatividade em uma criança.
Durante o processo de avaliação do filho, os pais são consumidores que estão comprando conhecimentos, informações e opinião. Eles tem o direito de a mais que um simples rótulo ou cinco minutos de explicação em relação a natureza do problema e sua solução (GOLDSTEIN, 1994. p. 47).
Ainda segundo Goldstein (1994), o objetivo da avaliação não é classificar seu filho ou decidir sobre o tratamento em particular e que o diagnóstico de hiperatividade não implica que qualquer tratamento isolado pode solucionar todas as dificuldades da criança em todas as situações, pois a maioria dos problemas vivenciados por uma criança hiperativa não pode ser evitado, porém, eles podem ser eficientemente administrados.
Afirma Borges (1997), que crianças com todas as características da hiperatividade são comumente avaliadas como tendo um comportamento normal por alguns médicos pediatras, quando não são observados traçados anormais no encefalograma, descartando-se assim a presença da hiperatividade e que esta conduta pode ocasionar muitos equívocos, pois perde-se tempo precioso de atendimento a muitas crianças que poderiam estar sendo devidamente acompanhados, evitando-se que comportamentos inadequados instalem-se de forma definitiva.
Referindo-se a essa questão Goldstein & Goldstein (1994.p. 78- 9) ignorar esses primeiros sinais de hiperatividade representa um erro por parte dos pais e de nossa comunidade médica e clínica. Embora uma intervenção precoce possa não curar a hiperatividade ou temperamento difícil, ela pode representar um grande passo no sentido de minimizar a extensa lista de problemas secundários desenvolvidos por uma criança hiperativa.
O processo que a criança pelo qual será avaliada para se pesquisar um possível diagnóstico de hiperatividade deve incluir cinco etapas:
1. A primeira etapa: aplicação de um questionário bem elaborado para os pais e professores. Entretanto, os questionários não fazem diagnósticos, apenas descrevem os comportamentos;
2. A segunda etapa envolve a coleta de informações objetivas e científicas relativas ao comportamento e as deficiências de habilidades da criança. Ela inclui a observação do comportamento em sala de aula e um teste direto com a criança;
3. A terceira etapa envolve uma avaliação cuidadosa da criança em vários ambientes;
4. A quarta é mais importante, pois é quando se considera, cuidadosamente, se os sintomas refletem ou não algum distúrbio emocional, de aprendizagem ou clínico.
4.1 Tratamento
O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmológicas, no âmbito das intervenções psicossociais, o primeiro passo deve ser educacional, através de informações claras e precisas à família a respeito do distúrbio. Muitas vezes, é necessário um programa de treinamento para os pais, a fim de que aprendam a manejar os sintomas dos filhos. É importante que eles conheçam as melhores estratégias para o auxilio de seus filhos na organização e no planejamento das atividades.
Intervenções no âmbito escolar também são importantes. As intervenções escolares devem ter como foco o desempenho escolar. Nesse sentido, os professores deveriam ser orientados para a necessidade de uma sala de aula bem estruturada, com poucos alunos. Rotinas diárias consistentes e ambiente escolar previsível ajudariam a essas crianças a manterem o controle emocional. Estratégias de ensino ativo que incorporem a atividade física com o processo de aprendizagem são fundamentais. As tarefas propostas não devem ser demasiadamente longas e necessitam ser explicadas passo a passo.
É importante que o aluno com TDAH receba o máximo possível de atendimento individualizado, ele deve ser colocado na primeira fila da sala de aula, próximo à professora e longe da janela, ou seja, em local onde ele tenha menor probabilidade de distrair-se. Muitas vezes, as crianças com TDAH precisam de reforço de conteúdo em determinadas disciplinas. Isso acontece porque elas já apresentam lacunas no aprendizado no momento do diagnóstico, outras vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, o tratamento psicomotor pode estar indicado para melhorar o controle do movimento.
Existem muitos medicamentos que podem ajudar a melhorar os sintomas do TDAH. O remédio atua corrigindo o desequilíbrio químico nos neurotransmissores, que no caso são responsáveis pela regulação do humor da atenção e do controle do impulso.
Em 1913, Bradley descobriu casualmente o efeito das anfetaminas, num grupo heterogêneo de crianças internadas num centro de tratamento utilizando a benzedrina, que é um estimulante. De acordo Wender (1980), algumas delas tinham desordens de comportamentos que incluíam desabilidades educacionais específicas, problemas agressivos. Havia uma melhora significativa no desempenho escolar em metade das crianças. Uma grande proporção delas tornou-se emocionalmente controlada.
Desde os anos 40 muitos tipos de medicamentos têm sido experimentados no tratamento do TDAH. Estimulantes como as anfetaminas (Benzedrina e Dexedrina) metilofenidrato (Ritalina), o permolina (Cylert), a cafeína e o deanol têm sido muito utilizado. Hoje, prescreve-se o metilofenidato ou ritalina em 90% dos casos.
Se a ritalina é ingerida ás oito horas, às dez horas da manhã, o efeito então diminui durante as quatro hortas seguintes e maior parte de sua capacidade de melhorar o comportamento hiperativo desaparece entre o meio dia e as duas da tarde. GOLDESTEIN & GOLDESTEIN (1994, p- 213¬)
Segundo Goldstein (1994), crianças hiperativas em uso de ritalina obtém uma melhora com redução dos sintomas. A ritalina melhora o grau de atenção e reduz o comportamento impulsivo hiperativo diminuindo problemas em casa, na escola, e na vizinhança.
Afirma Sukiennik et al (2000), que as drogas nesses pacientes provocam tranqüilidade, aumento no período de atenção e, por vezes, sonolência. Essa resposta positiva não é observada em todos os pacientes, sendo que alguns deles tornam-se mais excitados e agressivos e as doses empregadas deverão ser tituladas individualmente e, após ter sido encontrada a dose ideal, esta deverá ser mantida utilizando-se um dos esquemas abaixo.
1. A medicação é administrada de segunda a sexta- feira, interrompendo-se nos finais de semana;
2. Administrar durante todo o semestre letivo, interrompendo-a nas férias. Caso o paciente volte a ficar hiperativo, o quanto antes tornará a receber a dose que vinha sendo dada. Se o mesmo ficar bem sem a medicação, é provável que o problema tenha sido superado podendo-se tentar deixá-lo sem a droga.
Afirma Goldstein (1994) que a decisão de adotar a intervenção por medicação deve ser tomada apenas após cuidadosa consideração dos riscos e dos benefícios da medicação, apesar da ritalina ser altamente eficaz, mas existem efeitos colaterais brandos tais, como perda de sono ou apetite, além de efeitos colaterais graves que incluem psicose ou convulsões, sendo que tais efeitos não resultam em danos permanentes.
Segundo Borges (1997), a adaptação e ajustamento da criança hiperativa necessita de uma intervenção terapêutica. Dois tipos de medidas têm sido adotadas: as terapias comportamentais (que inclui terapias de modificação e terapias cognitivas) e os estimulantes.
Ainda segundo Borges (1997), antes de se iniciar qualquer terapia comportamental é necessário conhecer certos princípios e condições: para se efetuar um programa de modificação do comportamento é imprescindível uma análise completa dos comportamentos problemáticos, seus componentes, os eventos que os acompanha ou desencadeiam o contexto no qual aparecem. Os pais e professores são os principais responsáveis na aplicação do programa. O programa de modificação de comportamento é um processo longo e difícil e deve ser planejada de forma rigorosa. É necessário estabelecer objetivos realistas sem visar necessariamente o desaparecimento completo do comportamento desviante.


5 O CONTEXTO FAMILIAR DA CRIANÇA COM TDAH
5.1 A Família Lidando com o Diagnóstico
Depois de reunir todas as forças físicas emocionais para submeter o filho a uma avaliação e sendo confirmado seu diagnóstico como portador do TDAH, que sentimentos impressões e reações vivenciaram esses pais? Perceber as reações emocionais dos pais diante da informação constitui parte importante da adaptação ao distúrbio do filho. Esse conhecimento e aceitação do problema influenciam a qualidade dos investimentos que serão capazes de realizar no auxílio e facilitação da vida de seus filhos.
Alguns pais podem, de início, enveredar na negação do diagnóstico. Desesperadamente mantém a teoria de que nada está errado que não possa ser corrigido através de conselhos, orientações ou estratégias mais simples para controlar o comportamento.
Segundo Barkley (2000), isso ocorre, provavelmente, quando eles não suspeitam que muita coisa estava errada com seu filho, ou mesmo se o pai de um amiguinho levanta a possibilidade de existir algum problema. Quando são os últimos a saberem que seu filho é portador de TDAH, é comum rejeitarem, negarem ou minimizarem a extensão do problema, outros pais aceitam, com alívio, a informação sobre TDAH abraçando seu diagnóstico como resposta a uma incansável busca. Essas famílias geralmente sentem-se aliviadas do peso que carregavam quanto à incerteza e a culpa.
Freqüentemente o pai e a mãe de uma criança com TDAH são rotulados de negligentes, desatentos na educação. Para alguns, um diagnóstico de TDAH provoca ira e raiva contra aqueles que os culpam pela a falta de controle do problema dos filhos e ira voltada a todos que garantam que nada estava errado. Quando os pais descobrem finalmente que não são culpados, a ira e ressentimento não são reações exageradas. (Barkley, p-152).
De fato, é compreensível e natural reação de tristeza diante da informação; quase todos os pais se angustiam com a perda do estado de anormalidade e chegam a pensar que o filho saudável já não existe mais, daí percebem que o filho necessita de auxílio para lidar com o seu problema, e ser protegido quando ameaçado, proporcionando condições para que a criança com TDAH se desenvolva ao máximo ou se adaptem tão bem como crianças normais.
Wender (1980), considera que os pais precisam ser absorvido da auto tortura por pecados que nunca cometeram... isso reduzirá sua ansiedade e depressão... diminuindo o fardo da família. Diz também: definir uma criança infeliz e não como má muitas vezes diminuirá a hostilidade dos pais, permitindo-lhes se comportar de modo mais terapêutico.
Quando os pais amadurecem e passam a aceitar o filho com suas dificuldades e limitações, então saberão acolhê-lo no seio familiar e ajudaram a ser incluído no meio.
Taylor, apud Borges (1997), observa que crianças hiperativas podem provocar a falência emocional de uma família. Algumas vezes, os pais ficam sem saber como agir, porém, outras vezes, adaptam-se bem ao estilo da criança. Geralmente, o que se observa comumente é se instalam entre os membros da família tensões, tornando conflituosas todas as atividades da vida cotidiana.
No entanto, é imprescindível a aceitação dos pais diante das dificuldades do seu filho, de modo que eles possam assumir e cumprir o desafiante papel no progresso da criança. Assim, eles devem propiciar de forma ativa situações que favoreçam desenvolver a autonomia da criança, alicerçando através do amor, do bom relacionamento familiar, da aceitação dos colegas, dos professores, do sucesso escolar, social dentre outros. Os pais deverão encontrar situações prazerosas para seu filho, seja em esportes, artes, e deverão enxergar além das suas limitações e perceber seus esforços, empenhos e talentos.
Jones (2000) diz que alguns pais de crianças hiperativas percebem que seus bebês são difíceis desde o início. Muitas crianças posteriormente diagnosticadas com TDAH, tinham cólicas, eram agitadas e insones. Contudo, isso nem sempre acontece e alguns pais relatam que as crianças com TDAH dormiam bem quando eram bebês, enquanto aqueles que sentiam cólicas transformaram-se em crianças tranqüilas.
5.2 Interações da Criança com TDAH e suas Mães
Os primeiros estudos de observação direta de interação de mães e seus filhos com TDAH foram realizados por Campbell, da University of Pittsburgh, em 1975. Campbell (apud Barkley, 2000), observou que meninos com TDAH iniciaram mais interações do que outros quando trabalhando com suas mães, necessitando também de mais ajuda. Essas crianças, a curto prazo, pareciam necessitar de mais atenção, mais conversa e solicitavam mais intensamente e ajuda de suas mães.
Barkley (2000), refletindo também sobre essa interação, verificou que as crianças portadoras do distúrbio eram muito submissas, mais negativas, mais capazes de abster-se das tarefas e menos persistentes em concordar com as normas impostas por suas mães.

5.3 Interações da Criança com TDAH e seus Pais
Queixas que Barkley (2000), ouviu de mães de crianças com TDAH é que elas parecem se comportar melhor com os pais. Observou ainda que ainda eram menos negativas com seus pais e mais capazes de permanecer um maior período de tempo em tarefas do que com suas mães.
Ainda segundo Barkley (2000), deve haver algo relacionado ao fato de que as mães carregam a mais responsabilidade de interagir com a criança com TDAH do que os pais no ambiente de casa. As mães parecem contar mais com razão e afeto par conquistar a obediência do filho. Como as crianças com TDAH não seguem instruções muito bem e não são sensíveis a elogios, essa forma de proceder parece motivá-los bem menos. Os pais podem racionalizar e repetir menos ordens, podendo impor punição imediata pela não submissão. Não podemos descartar o fato do tamanho físico e de maior força do pai, que podem ser intimidadores para uma criança com TDAH.
5.4 Interações da Criança com TDAH e Seus Irmãos
Irmãos de uma criança com TDAH têm aproximadamente uma chance em três ou quatro de apresentar também TDAH.
O relacionamento de uma criança com TDAH e seus irmãos e irmãs parece ser diferente daquele observado em outras famílias. Elas gritam com maior freqüência com seus irmãos e são mais impacientes e suscetíveis a assumirem um comportamento inapropriado, problemático. Os irmãos de uma criança com TDAH tendem a crescer cansados, ansiosos por conviver com um comportamento tão instável e desafiante. Alguns se ofendem com o grande peso da tarefa que carregam, se comparados com criança portador do distúrbio. Certamente, o maior tempo e atenção que a criança recebe dos pais é fonte de inveja, ciúmes, queixas, especialmente quando os irmãos sem TDAH são os mais novos.
Alguns reagem com raiva, pois essas crianças são dispensadas de atividades e responsabilidades, ou tem mais oportunidades de ganhar recompensas pelo o comportamento que, rotineiramente, se espera deles sem recompensa... por um lado, os irmãos podem ficar com ciúmes e com raiva e, contudo. Apresentarem um interesse velado em preservar o estado dessa criança hiperativa. (GOLDSTEIN & GOLDESTEIN, 1994, p- 123)


5.5 Recomendações aos Pais da Criança com TDAH
Afirma Borges (1997) que o pai, geralmente, se coloca mais distante e tem menos oportunidade de se enervar, pois não participa diretamente dos cuidados à criança. São, portanto, as mães que mais se lastimam e se preocupam, por não saberem como agir com essa criança.
Goldstein & Goldestein (1994) sugere uma série de postura que os pais devem tomar:
1- Educação: sugere que os pais considerem que a educação a essa criança deve ser apropriada para isso, devem se informar, conhecer a literatura especializada, para saberem como agir;
2- Controle: recomendam que os pais considerem que o domínio, paciência, tolerância, conhecimento, aptidão, compreensão, capacidade de controle e, acima de tudo, amor;
3- Maneira de divertir a criança: os pais devem descobrir oportunidades de diversão com a criança, tornando cada dia agradável, estimulando atitudes positivas a criança;
4- Apoio aos pais: os pais devem se apoiar mutuamente, com a participação do casal em todas as atividades e intervenções, de forma coerente;
5- Escola: apoio e tolerância às iniciativas da escola;
6- Auto-estima: os pais devem ajudar a criança a construir uma boa auto-estima. Atividades em que ela seja bem sucedida devem ser estimuladas;
7- Amigos: os pais devem estimular a manutenção das amizades, ajudando-a nessa tarefa, facilitando as interações sociais;
8- Irmãos: os pais não podem esquecer dos outros irmãos, mesmo que despendam mais tempo à sua criança hiperativa.
Borges (1997) diz que os pontos citados são bastante pertinentes, mas acredita que estão muito distantes da realidade das crianças que sofrem desse distúrbio, por se tratarem de crianças cujas famílias geralmente são formadas por pessoas simples, com pouca ou nenhuma instrução, sobrevivendo à custa de muito trabalho e sacrifício. Alguns dos pais nem mesmo percebem as implicações que o comportamento da criança poderá ter para o futuro.

6 O CONTEXTO ESCOLAR E A CRIANÇA COM TDAH
Alunos com TDAH parecem ter potencial de aprendizagem igual ao das outras crianças. Entretanto, é na escola que eles enfrentam seus maiores problemas. Já na Educação Infantil, a criança precisa aprender a lidar com as regras, a estrutura e os limites de uma educação organizada. Sendo que é importante que pais e professores entendam os motivos que levam esse aluno a não corresponder ao que se espera dele.
Na família, a primeira dúvida surge na hora de escolher a escola, pois a escola escolhida deve defender valores semelhantes aos defendidos pela família e seguir o mesmo caminho que ela pretende trilhar, para que a educação da escola seja complementar à da casa. pois esses alunos precisam de apoio e intervenção acadêmica com maior intensidade. Haverá a necessidade de acomodações, que respeitem a especificidade das necessidades de cada um e, para isso, é preciso verificar o nível de conhecimento da direção e dos professores a respeito do assunto.
Se os professores conhecerem realmente as dificuldades vividas pelas famílias de crianças com TDAH, é provável que compreendam as atitudes dos pais, da mesma forma que estes podem se sensibilizar com a situação dos professores quando percebem as reais dificuldades que seus filhos encontram e provocam dentro da sala de aula.
Os professores são, freqüentemente, aqueles que mais facilmente percebem quando o aluno apresenta problemas de atenção, aprendizagem, comportamento ou emocionais/afetivos e sociais. É papel da escola procurar esclarecer as causas dos problemas. A primeira avaliação deve ser feita por um grupo interno; depois, as preocupações são transmitidas aos pais, mostrando-se opções para um diagnóstico correto, que pede a avaliação de profissionais de outras áreas. Uma vez determinado o problema, pais, professores e terapeutas planejam juntos as estratégias e intervenções a serem implementadas (modificação do ambiente, adaptação do currículo, adequação do tempo de atividade, acompanhamento de medicação etc.).
Dentre os vários fatores que afetam positivamente o desempenho de um aluno com TDAH está a estruturação, na sala de aula e durante o tempo de estudo em casa. Uma sala de aula estruturada não significa um ambiente rígido, tradicional. Ao contrário, pode ser criativa, colorida, ativa e estimulante. A estrutura se estabelece através de comunicação clara e precisa, regras bem definidas, expectativas bem explicadas, recompensas e conseqüências coerentes e um acompanhamento constante. A rotina de atividades deve ser programada (com períodos de descanso definidos) e os alunos devem ser supervisionados e ajudados na organização do lugar de trabalho, do material, das escolhas e do tempo (Borges, 1997).
Atualmente, uma das grandes dificuldades enfrentadas pelo aluno com TDAH e sua família, é a realização da tarefa de casa. Nesse sentido, os professores precisam lembrar que um estudante com TDAH (e/ou com problemas de aprendizagem) leva 3 a 4 vezes mais tempo para fazer uma lição do que seus colegas! É necessário fazer adequações para que a quantidade de trabalho não exceda o limite da possibilidade. O objetivo da lição de casa é revisar e praticar os conteúdos da aula. Acima de tudo, o dever de casa não deve ser jamais um castigo ou conseqüência de comportamento inadequado na escola.
Freqüentemente, professores de crianças com TDAH sentem tanta frustração quanto seus pais. Assim como seus alunos, são seres humanos únicos, com características específicas, e nenhum conjunto isolado de sugestões e estratégias funciona na inter-relação de todos os professores com todos os alunos. Há necessidade de ajuste de ambas as partes. Algumas vezes, várias intervenções são experimentadas antes que um resultado positivo apareça. Daí a necessidade de se escolher a escola e o método de ensino mais adequados para o aluno, especialmente aquele com TDAH. O sucesso escolar de crianças com TDAH exige uma combinação de intervenções terapêuticas, cognitivas e de acompanhamento. Com esse apoio, a maioria pode, perfeitamente, acompanhar classes regulares.
De acordo Borges em sua dissertação de mestrado (1997), crianças que desde bebê demonstram estar sempre em alerta, choram com freqüência são difíceis de acalmar, têm sono perturbado e vivem sempre irritados, e aos dois anos têm dificuldade de parar, escutar ou atender, quando chegam na pré-escola essas características permanecem tendendo a se agravar já que começam a conviver com pessoas fora do seu círculo familiar, passando a ser percebidas como importunas, dominadoras e inconseqüentes. Seu comportamento torna-se motivo de exigências e discriminações por seus professores e seus companheiros. Quando vão para alfabetização, demora muito mais do que as outras a ler e escrever, pois seu esquema corporal é alterado pela inquietação e agitação motora. Manter-se sentado, permanecer calada, atenta e concentrada, são atributos que ele não consegue desenvolver, não escreve na linha e quebra seguidamente a ponta do lápis, levantando-se para ir ao cesto apontá-lo.
A maioria das crianças com hiperatividade ao começarem a escola, tornam-se candidatas a sucessivas repetências desde os primeiros anos do ensino fundamental. A entrada da criança a obriga a se adaptar a um grupo maior, a cooperar com os colegas em atividades estruturadas, a ficar longo tempo sentada, se para crianças normais essas exigências são difíceis, para crianças hiperativas torna-se angustiante.

Na idade escolar, a criança hiperativa começa a se aventurar no mundo e já não tem a família para agir como amortecedor. O comportamento, antes aceito como engraçadinho ou imaturo, já não é tolerado... Ela precisa agora aprender a lidar com regras, a estrutura e os limites de uma educação organizada e seu temperamento simplesmente não se ajusta muito bem às expectativas da escola (GOLDSTEIN & GOLDSTEIN, 1996, p- 106)

Segundo Goldstein & Goldstein (1996), muitas crianças hiperativas também vivenciam comportamentais ou emocionais secundários na escola como conseqüência de sua incapacidade de satisfazer as exigências da sala de aula. Esses problemas muitas vezes se desenvolvem em resposta a fracassos freqüentes e repetidos, algumas crianças tornam-se deprimidas e retraídas, enquanto se tornam irritadas e agressivas. E na primeira ou segunda série as outras crianças tornam-se cada vez mais cientes das incapacidades das crianças hiperativas na sala de aula.
6.1 A Sala de Aula e a Criança Hiperativa
Uma sala de aula eficiente para crianças desatentas e hiperativas deve ser organizada e estruturada, o professor deve estar preparado para receber uma criança portadora de TDAH e procurar conhecer melhor o quadro do distúrbio, para saber como lidar com ela. Depois um programa de reforço baseado em ganhos e perdas, deve ser parte integrante do trabalho de classe. A avaliação deve ser freqüente e imediata. Recomenda-se ignorar pequenos incidentes. O material didático deve ser adequada às habilidades da criança, estratégias que facilitem a auto-correção, e que melhorem o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas.
As tarefas devem variar, mas continuar sendo interessantes para os alunos, os horários de transição, bem como os intervalos e reuniões especiais devem ser supervisionadas. Pais e professores devem manter uma comunicação freqüente, os professores precisam estar atentos à qualidade do reforço negativo do seu comportamento.
O professor deve criar facilidades para que a criança com TDAH adquira novas amizades, pois os amigos são essenciais para o desenvolvimento dessa criança. A instabilidade comportamental, a ansiedade e a falta de concentração em algumas crianças hiperativas fazem com que as outras crianças se afastem delas, pois por não compreenderem a sua forma de relacionamento, acabam as considerando inconvenientes. Assim sendo, algumas vezes, as crianças hiperativas acabam sendo excluídas pelos os amigos, o que poderá provocar alguns transtornos emocionais, pois a falta de companheirismo poderá trazer para algumas delas sentimentos de solidão e ansiedade (LOPES, 2000).
6.2 Sugestões para Intervenção do Professor
Há uma grande variedade de intervenções específicas que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH e se ajustar melhor à sala de aula:
 Proporcionar estrutura, organização e constância, arrumação das cadeiras, programas diários, regras claramente definidas;
 Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo;
 Encorajar freqüentemente, elogiar a ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente;
 Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam necessárias e valorizadas;
 Começar com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas;
 Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor físico e se possível fazer os colegas terem a mesma atitude;
 Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno;
 Proporcionar trabalhos de aprendizagem em grupos pequenos;
 Favorecer oportunidades sociais;
 Comunicar-se com os pais, geralmente eles sabem o que funciona melhor para seu filho;
 Favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como ida a secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete a outro professor;
 Recompensar os esforços;
 Favorecer freqüentemente contato aluno/professor, isto permite um controle extra sobre a criança com TDAH;
 Colocar limites claros e objetivos.

6.3 A Aprendizagem e o Brincar de Crianças com TDAH
As atividades lúdicas, além de facilitarem a aprendizagem, atendem a determinados interesses e necessidades sociais, pois favorecem a socialização e a cooperação entre os alunos. A escola deve promover situações significativas de aprendizagem, propondo atividades desafiadoras que possibilitem a construção de conhecimentos, dando oportunidades ao aluno de ser mais criativo, participativo e ativo, tornando-se um ser com iniciativa pessoal e autonomia, levando-o a adquirir atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade
Para isso, faz-se necessário que o professor elabore aulas interessantes e diversificadas, saindo da rotina e que explorem diferentes habilidades nos educandos, o que trará benefícios significativos para suas vidas.
Segundo Barros (2002), no que se refere ao lúdico, sabe-se que o comportamento da criança hiperativa, em relação às crianças normais, se mostra muito deficitário devido à grande dificuldade de atenção, concentração e impulsividade causada pelo o distúrbio, portanto ao utilizar os jogos como estratégias pedagógicas deve levar em considerações as características da criança com TDAH, bem como as condições sob as quais deverá realizar as atividades, objetivando auxiliar o aluno a desenvolver as habilidades necessárias para um desempenho social, emocional e cognitivo. Ainda segundo Barros (2002), a hiperatividade dificulta o desenvolvimento de um comportamento social adequado em uma criança hiperativa e através dos jogos ela pode aprimorar seu senso de respeito às normas grupais e sociais.
Lopes (2000), psicopedagoga clínica, relata resultados positivos que vivenciou em sua clínica através de confecção e aplicação de jogos no tratamento de crianças hiperativas. Essas crianças foram encaminhadas pela instituição escolar com queixas de hiperatividade e dificuldade em acompanhar o desenvolvimento geral da classe. Em relação aos aspectos comportamentais, apresentavam um nível de ansiedade muito alto e dificuldades em concentração, coordenação viso-motora e aceitação de regras. Após adotar trabalho pedagógico com as crianças mencionadas, os resultados começaram a parecer a cada sessão. Ao final do trabalho a autora pôde perceber que, a partir da vivência com jogos, as crianças criaram novos hábitos e desenvolveram potencialidades e habilidades. O jogo é uma ferramenta criativa, atraente e interativa que auxiliará o professor a minimizar os problemas de desatenção e de comportamento social nas crianças hiperativas, melhorando assim a aprendizagem e o desenvolvimento da criança, pois é através desse ato que a criança reproduz experimentações e vivências que percebe do mundo exterior, e, ainda, que pode relacionar-se com outras crianças. Ele também destacou que o brincar nem sempre é considerado uma atividade que dá prazer à criança, mas que outras atividades também poderá ser prazerosa.
De acordo com Vygotsky (2004), a aprendizagem é um processo social. É possibilitada através das áreas de desenvolvimento proximal, isto é, da distância entre a zona de desenvolvimento real, que se costuma determinar através das soluções independentes de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, ou seja, aquilo que a criança ainda não sabe, mas que pode aprender. A zona de desenvolvimento proximal pode ser ilustrada através daquilo que a criança faz hoje com auxílio de adultos ou mesmo de crianças mais hábeis, mas que amanhã poderá fazer por si mesma.
Tendo-se por norte a afirmação de Vygotsky (2004) no sentido de que, no processo de aprendizagem e desenvolvimento, para cada passo que a criança dá adiante no aprendizado, são dois passos que ela avança no desenvolvimento, é inegável que cresce em importância a atuação do professor nesse processo. De fato, cabe a ele estimular constantemente a atenção da criança com TDAH, para que a mesma não se perca a qualquer novo estímulo do ambiente. Para possibilitar que a criança fixe atenção em um único brinquedo ou brincadeira por um tempo suficiente para o máximo aproveitamento daquela experimentação, com uma melhor interação com aquele objeto e mesmo com os colegas. Assim pode conseguir também aproximação aos demais. Relacionar-se com os colegas é estar em ambiente proximal, aproveitar os modelos, orientações e mesmo a afetividade com os pares.
Vygotsky (1991) destacou a importância do brincar para os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança, pois é através desse ato que a criança reproduz experimentações e vivências que percebe do mundo exterior, e, ainda, que pode relacionar-se com outras crianças. Ele também destacou que o brincar nem sempre é considerado uma atividade que dá prazer à criança, já que outras atividades dão experiências de prazer muito mais intensas do que o brincar como, por exemplo, o chupar chupeta, mesmo que a criança não se sacie com a mesma. No entanto, o ato de brincar é de suma importância no desenvolvimento e aprendizado da criança.



7 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A CRIANÇA COM TDAH
7.1 Breve Histórico da Psicopedagogia
Segundo Bossa (2000), os primeiros Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por J. Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes centros uniam conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender crianças com dificuldades de aprendizagem apesar de serem inteligentes.
Na literatura francesa que, como vimos influencia as idéias sobre psicopedagogia na Argentina a qual por sua vez influencia a práxis brasileira- encontra-se entre outros, os trabalhos de Janine Mery, a psicopedagoga francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo sobre o termo psicopedagogia e sobre a origem dessas idéias na Europa, e os trabalhos de George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França,.. onde se percebeu as primeiras tentativas de articulação entre Medicina, Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução dos problemas de comportamento e de aprendizagem ( BOSSA, 2000, p. 37)
Esperava-se através desta união Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, conhecer a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender o caso para determinar uma ação reeducadora. Esta corrente européia influenciou significativamente a Argentina.
De acordo com Visca (1987) a psicopedagogia foi inicialmente uma ação subsidiada da Medicina e da Psicologia, perfilando-se posteriormente como conhecimento independente e complementar, possuindo como objeto de estudo, a aprendizagem, e de recursos diagnóstico, corretores e preventivos próprios.
Com esta visão de uma formação independente, porém complementar, destas duas áreas, o Brasil recebeu contribuições, para o desenvolvimento da área psicopedagógica, de profissionais como Sara Paín, Jacob Ferldmann, Jorge Visca e Alicia Fernandes, dentre outros. Sendo Jorge Visca como um dos maiores contribuintes da difusão psicopedagógica no Brasil a partir de 1970.
7.2 Reflexão Psicopedagógica Sobre Crianças com TDAH
A psicopedagogia ocupa-se do aprendiz em seu processo de aprender e de ensinar levando em consideração as realidades objetivas e subjetivas que habitam o entorno da criança e do adolescente. Considera também o conhecimento em sua complexidade e numa dinâmica em que os aspectos afetivos, cognitivos e sociais se completam. Sendo assim, não apenas o desempenho escolar interessa, mas todas as relações de aprendizagem que a criança estabelece.
Vale dizer que ao fazermos uma avaliação diagnóstica não é suficiente conhecer em que patologia ele foi enquadrado, mas como ele se comporta e vem desenvolvendo ao longo da vida, qual o significado desses sintomas em sua família, como a escola entende e acolhe as manifestações da criança e, finalmente, se a família e a escola estão mobilizadas para acabar ou amenizar as queixas.
Entende-se que o objetivo da psicopedagogia é ajudar na adequação da realidade da criança à sua possibilidade de aprendizagem, promovendo uma ponte entre a criança e o conhecimento. Investigar como ela aprende, o que ela não aprende, investigando também o seu prazer em aprender.
Alicia Fernándes (2001, p.29) afirma que:
Entre ensinante e o aprendente abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender. O ensinante entrega algo, mas para poder apropria-se daquilo o aprendente necessita inventa-lo de novo. È uma experiência de alegria, que facilita ou perturba, conforme se posiciona o ensinante. Ensinantes são os pais, os irmãos, os tios, os avós e demais integrantes da família, como também os professores e os companheiros na escola.
É importante analisar, para tanto, do que a família exatamente se queixa quando procura um psicopedagogo. Ela pode vir ao consultório porque está exausta e precisa de ajuda, ou porque a escola pediu uma avaliação, ou ainda, porque a psicóloga quer uma visão psicopedagógica para traçar uma estratégia de abordagem junto a escola, ou ainda porque o neurologista mandou. Para cada demanda, lê-se uma necessidade diferente e uma possibilidade de envolvimento mais ou menos comprometida com a criança e seu desenvolvimento. É diferente se a queixa se concentra na preocupação dos pais com o futuro dos seus filhos, ou se queixa tem por interesse o bom andamento das avaliações escolares.
Tem sido muito comum nos consultórios de psicopedagogia a queixa de pais que verdadeiramente desabam, denunciando estarem exaustos com a rotina estressante que seus filhos lhe impõem, depois de várias tentativas de atendê-los em sua necessidades e agitação. Os pais ficam perplexos diante do tumulto que causam em suas famílias. À medida que se estabelece a anamnese, é comum os pais se referirem ao distúrbio do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH).
O mesmo acontece com professores.. quando procurados para saber o motivo pelo o qual encaminharam ou deram apoio para procura de um diagnóstico psicopedagógico de determinado aluno, é comum revelarem que ficam na dúvida entre um distúrbio do TDAH e o perfil de preguiçoso e agitado ou indisciplinado. Alguns professores reclamam que esses alunos são terríveis, não param, porém sabem todas as regras do futebol, contudo, falta interesse para os estudos
Afirma Vasconcelos (2002) que a avaliação visa reorganizar a vida escolar e doméstica da criança portadora do distúrbio TDAH, portanto, devemos ter muito cuidado ao avaliarmos uma criança, pois a hiperatividade está em moda. Todas as crianças agitadas são chamadas hiperativas, o que, na maioria das vezes, não é verdade. A falta de limites e da presença de pais e professores educadores e disciplinadores pode vir a confundir e a rotular, inadequadamente, crianças e adolescentes que, de fato, não precisam de medicamentos, mas da presença de adultos comprometidos com sua formação e desenvolvimento.
7.3 Proposta de Diagnóstico Psicopedagógico
Para avaliar, o psicopedagogo deve ter claro o que irá avaliar, portanto, conhecer o objeto do diagnóstico que irá estabelecer, ou seja, o psicopedagogo avalia, sobretudo, a aprendizagem. Também deve ter clareza quando é realmente indicado a realização e uma avaliação psicopedagógica.
Para Bossa (1996), o estabelecimento do diagnóstico é de fundamental importância para o profissional que vai trabalhar com transtorno na aprendizagem, pois norteia os procedimentos de intervenção adequada a cada caso. Assim, o psicopedagogo poderá através da livre observação, e de conversa informal, de entrevista, de brincadeiras, desenhos e testes, diagnosticar o problema da aprendizagem.
De acordo com os estudos feitos por Weiss (1999), para intervenção junto à criança com TDAH deve ser realizado um diagnóstico clínico, porém, primeiro passo será entender o conceito de diagnóstico, que etimologicamente em grego significa cama. Esta terminologia está associada à doença. No caso da psicopedagogia, diagnosticar o problema da aprendizagem. No entanto, esta proposta de trabalho vem dar um significado na maneira de diagnosticar, pois buscará um processo dinâmico de olhar a aprendizagem e a não aprendizagem, procurando assim ver o outro como um todo nas suas diversas ações e relações.
Ressaltamos que o processo de diagnóstico já começa com o primeiro contato com alguém vinculado à criança, podendo ser pessoal ou telefônico, na qual o profissional deverá conversar a respeito da criança procurando obter informações relacionados a sua vida pessoal familiar social e escolar, quem solicitou a avaliação e qual o motivo da solicitação. É importante esclarecer à criança o motivo dela estar sendo avaliada, também deve-se observar o nível de ansiedade do informante, como expressa sua fala sobre o sintoma e quais suas expectativas em relação à cura.
Este contato é de extrema importância no trabalho. Podendo ser colhido dados históricos e emocionais, dando oportunidade de um breve conhecimento da estrutura social em que a criança está inserida. É preciso que o terapeuta tenha sensibilidade e competência para acolher com serenidade a multiplicidade dos pontos de vista em cada situação, seja na clinica durante o atendimento, seja em contato com a família.
De acordo com Weiss (1999), Fernandes (1991), Visca (1995), os quais citam diferentes formas de diagnóstico, foi criado um modelo que coleta um conjunto de informações suficientes para se chegar a um resultado seguro, podendo ocorrer modificações como qualquer planejamento.
Na proposta de intervenção elaborada, inicia-se pela visita dos pais da criança à clínica. Este encontro já teria sido agendado anteriormente, o terapeuta apresentará a clínica, outros profissionais, e as especialidades e o funcionamento do sistema de atendimento. Esse procedimento proporciona uma adaptação e diminui o nível de tensão, ficando todos mais próximos e familiarizados com o ambiente, promovendo, assim, uma maior confiança. Ao terminar a visita, deve-se dirigir ao consultório onde se realizará um entrevista, para coleta de dados cadastrais com informações pessoais da criança dos pais e da família, em seguida, será feito o contrato de trabalho e o enquadramento entre a família e a clinica. São aspectos importantes das constantes do enquadramento que englobam também o contrato:
• Esclarecimento de papéis: Função do terapeuta, participação dos pais e de outros membros da família, anamnese, sessões familiares, contato com a escola e com outros profissionais que atendam ou já atenderam a criança;
• Definição de horário, dias e duração das sessões;
• Previsão do número aproximado de sessões e forma de encerramento do trabalho;
• Definição dos locais de atendimento: consultório ou sala de testes
Nas duas sessões seguintes, aplica-se a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (E.O.C.A), proposta por Jorge Visca (!995), embasado teoricamente na Epsitemologia Convergente e inspirada na psicologia social de Pichon Riviere (1982) e introduziria também a hora do jogo idealizado por Sara Pain (1987). Esse trabalho conjunto, Weiss (1999) chamou se Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem. Esse é o momento de observar alterações na criança, objetivando e oportunizando a criança a expressar-se de forma lúdica através de materiais escolares, jogos, brinquedos e brincadeiras, podendo a criança desenhar colorir, recortar, construir, jogar com o terapeuta; durante essa sessão o terapeuta deverá estar observar e registrar aspectos como:
• A escolha de material e brincadeira: verifica-se se esta se identifica com o material escolar para produzir desenhos, escrever textos, ou outras produções que possam expressar seus anseios, verdades e desejos;
• O modo como a criança brinca: dado relevante podendo ser observado se as brincadeiras são estruturadas tendo começo, meio e fim, se manuseia somente objetos fáceis rejeitando os que exigem mais raciocínio ou atenção, tem flexibilidade na funcionalidade do brinquedo, faz atividades variadas, criativas ou repetitivas, deixa atividades incompletas, qual o nível de concentração quando faz algo que lhe dá prazer, faz mais uso de ações de destruir, dividir, cortar, separar, ou de juntar; como ela se apresenta no jogo dramático; como resolve desafios; como reage emocionalmente diante de situações novas.
• A relação com o terapeuta: no relacionamento criança e terapeuta está inserida uma atitude de cooperação, dependência, esse vínculo deve ser feito de forma espontânea, ambos devem estar sempre refletindo sobre suas ações;
• Verificar o nível pedagógico da criança: avaliar tanto na leitura (silabada ou não, retrocessos, omissões, entonação , compreensão de texto), como na escrita (se troca, inverte, omite letras, se faz relação diferenciada da fala e da escrita usando os níveis de Emilia Ferreiro, proposto no livro Psicogênese da Língua Escrita e como encontra-se o conceito lógico matemático) (o raciocínio, o cálculo mental e escrito, a estruturação gráfica dos símbolos) observando assim os vínculos positivos e negativos que a criança tem com a aprendizagem;
• O perfil psicomotor: é de grande importância perceber quais suas habilidades motoras, coordenação motora fina e a ampla e óculo-manual, sua capacidade perceptiva e noção espaço- temporal.
Na quarta sessão, realiza-se a entrevista de anamnese que visa obter dados sobre a realidade histórica de vida da criança. As perguntas devem ser claras para que os pais compreendem e que possa se estabelecer uma boa comunicação entre terapeuta, família e escola, através desta, devem-se levantar novas hipóteses diagnósticas, excluir ou confirmar com segurança as já suspeitadas.
Lemos e Damaris (2008), sugerem as etapas passo a passo para uma anamnese:
História das primeiras aprendizagens:
• Importantes aprendizagens não escolares ou informais;
• Investigar a possibilidade de desenvolvimento cognitivo;
• Equilíbrio entre assimilação e acomodação.
Evolução Geral:
• Desenvolvimento, controle, aquisição de hábitos, interiorização de normas, aquisição da fala, a alimentação, o sono, a sexualidade;
• Evolução psicomotora (aspectos qualitativo: engatinhar, andar,movimentos finos, postura);
• Concepção: desejada;
• Pré–natal, perinatal: má oxigenação, lesões ...
História Clínica:
• Problemas e soluções em ambiente familiar quando o paciente tinha doença infantil;
• Cirurgias e internações;
• Tratamento realizados ( fonodiológo, psicológico) – laudos;
• Traumatismo e doenças ligadas à atividade nervosa superior, existencia ou não de seqüelas- parecer neurológico;
• Problemas auditivos e visuais.
História da Família:
• Fatos marcantes dos pais e irmãos antes, durante e depois da entrada do paciente na família;
• As famílias provenientes de novos casamentos;
• Perspectiva sócio-econômico;
• Estimulação do raciocínio, memória, antecipação, brinquedos, jogos, atividades;
• Atividades particulares - música, dança, esporte;
• Situações negativas (nascimento de irmão, mudanças, mortes, desemprego, separação,...)
História da família ampliada:
• Famílias materna e paterna suas influencias passado e presente sobre os pais e o paciente;
• Quadros patológicos existentes;
História Escolar:
• Ver como se deu a entrada e os aspectos positivos e negativos de sua passagem pelas instituições (creches, pré-escola, escolares regulares, curso de inglês, escolinha de futebol, ...)
• Entrada na escola precoce ou tardia/ trocas constante sem causa evidente;
• Avaliar como se processou a alfabetização, qual a metodologia, a exigência dos pais nesse momento, qual foi a reação do paciente.
Na quinta sessão se complementaria o processo de coleta de dados e informações para o início do diagnóstico com provas operatórias de Piaget, através destas é possível avaliar como estão as estruturas de pensamento, para que não se exija além da capacidade da criança ou que se subestime seu potencial. O material para essa prova é bem variado, com este recurso, o psicopedagogo observará as noções de conservação, aspectos lógico- matemático, observando assim o nível do pensamento cognocente da criança
Weiss (1999), diz que as provas seguem uma ordem na aquisição das noções, variando as idades e esta variação de idade terá influência do meio sócio-econômico, pelas condições orgânicas e pelo equilíbrio emocional. O registro dessas respostas é fundamental , suas falas, suas arrumação do material, e as soluções, enfim, todas as atitudes da criança diante das provas. A avaliação está esquematizada em níveis de construção operatória:
• Nível 1: quando a criança tem ausência total da noção em questão, não tem domínio, age muito empiricamente, não faz nenhuma conservação consciente e algumas vezes não compreende a proposta da atividade;
• Nível 2: expressa instabilidade, vacilações, são respostas incompletas;
• Nível 3: a variação já tem condutas conservativas, as repostas demonstram a aquisição da noção, sem vacilação, ela utiliza de vários argumentos para confirmar suas respostas.
Na sexta sessão procura-se avaliar a área emocional, através do grafismo e desenhos a fim de se obter dados afetividade da criança e para isso usamos as provas dos vínculos educativos.
1- Vínculo com a Aprendizagem
• Par Educativo: onde se pede que a criança desenhe duas pessoas (uma que ensina e outra que aprende) e que ela dê um título para o desenho e relatar o que esta se passando na cena;
• Eu com meus companheiros: vínculos com os companheiros de classe
• A planta baixa da sala de aula
2- Vínculo Familiar:
• A planta baixa da minha casa: a representação geográfica do lugar em que se habita e a localização real dentro da mesma
3-Vínculo consigo mesmo
• Representação que tem de si e do contexto físico e sócio dinâmico de transição de uma idade a outra.
Ao final, quando o psicopedagogo tiver concluído o diagnóstico, deverá repassar para à criança, a família e a escola a conclusão a que chamamos de devolutiva. Nela deverá conter como o problema foi instalado, quais os encaminhamentos, caso seja necessário, e as intervenções necessárias, esses procedimentos deverão se estender à escola, aos pais e à criança. É valido fazer também um informe psicopedagógico, tanto para organizar a conduta durante a devolutiva como arquivar com finalidade para uma posterior consulta. A proposta de intervenção está em função do resultado avaliado do diagnóstico.
De posse do material o psicopedagógico coletado, elabora-se um plano de trabalho para apresentar a família. Se a família estiver de acordo, será efetivado um novo contrato terapêutico, explicitando-se: o tempo para emergirem as mudanças atitudinais e comportamentais, as resistências as mudanças, como a família vai atuar, enfim, todos requisitos para que a intervenção psicopedagógica aconteça.




8 CONCLUSÃO
Ao término da elaboração deste trabalho pudemos constatar o quanto foi envolvente esta pesquisa. A escolha do tema deu-se em função de lidarmos com muitas crianças agitadas ou mesmo sem limites, daí a importância de buscarmos conhecimentos para sabermos melhor conviver com elas e identificar se o mal comportamento é simplesmente falta de limites ou se trata do distúrbio o TDAH.
A cada nova fonte pesquisada víamos com nossa curiosidade aguçada, tamanha era a gama de informações novas que adquiríamos e registrávamos passo a passo, de como proceder e agir com uma criança portadora de TDAH.
Constatamos que o TDAH é um distúrbio e como tal deve ser tratado, sendo que não tem cura e que o tratamento apenas melhora o sintomas e que deve ser administrado de acordo com o comprometimento, ministra-se medicamentos para diminuir a hiperatividade motora e melhorar a atenção. Em alguns casos mais leves, o auxilio de uma terapia comportamental com o portador do distúrbio e com a família já ameniza os sintomas do TDAH; em casos mais graves, exige-se uma ação multidisciplinar: pais, professores, médicos, terapeutas, e medicamentos.
O papel do professor é fundamental para auxiliar no diagnóstico do TDAH, visto que a hiperatividade só fica evidente no período escolar, quando é preciso aumentar o nível de concentração para aprender. Deste modo, é importantíssimo o professor estar bem orientado e ter conhecimentos sobre o TDAH para identificar uma criança sem limites de uma hiperativa.
O portador do TDAH precisa ter na escola um acompanhamento especial, já que não consegue conter seus instintos, tumultuando a sala de aula, a vida dos colegas e dos seus professores. É preciso aplicar uma ação didática- pedagógica direcionada para esta criança, visando estimular sua auto-estima, levando em conta a sua falta de concentração, e criando atividades diversificadas para que não haja um comprometimento durante sua aprendizagem.
O professor será o elo entre a família e o especialista, durante o tratamento, pois seu papel não é o de dar diagnóstico, mas sim de esclarecer aos pais que este distúrbio se não for tratado, gera inúmeras complicações para seu convívio social, levando-o à depressão e até mesmo à busca de drogas, à insatisfação e à infelicidade, a um conflito interno por não atender as atividades dos dia a dia, e à rejeição gerada pelos demais companheiros da escola.
Concluímos que a hiperatividade não tem cura, mas precisa ser tratada e que nem todas as crianças que apresentam comportamentos não aceitáveis são hiperativos e sim precisam de limites para aprenderem a conviver em grupos sociais.



9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, P. Déficit de atenção. Revista Nova Escola. 2004, nº 172, p. 28 – 29.


BARKLEY, R. A. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Ed. Artmed, Porto Alegre 2000,


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___________. Hiperatividade: como desenvolver a capacidade de atenção da criança. 3ª ed. Papirus. São Paulo, 1996.b.


___________. Compreensão, Avaliação e Atuação. In: I Conferência Internacional do Déficit de Atenção e Hiperatividade. São Paulo, 1999.


HIPERATIVOS FAMOSOS. Disponível em http://www.orientacoesmedicas.com.br. Acesso em 16 novembro 2007.


JONES, M. Hiperatividade: Como Ajudar Seu Filho. São Paulo: Plexus, 2004


LEMOS, G; DAMARIS, O: Diagnóstico das Problemas da Aprendizagem. Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA, 2008


LEWIS, M.; WOLKMAR, F. Aspectos clínicos do desenvolvimento na infância e adolescência. Artes Médicas. Porto Alegre, 1990.


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SUKIENIK, P. B. et al. O Aluno Problema: Transtornos Emocionais de Crianças e Adolescentes, 2ª Edição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2000


SILVA, R. da. SOS sala de aula inquieto ou hiperativo. Revista Nova Escola. Disponível em: http://www.novaescola.com.br. Acesso em 21 novembro 2007.


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WALLON, H. As origens do caráter da criança. Difusão européia do livro. São Paulo, 1971.


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WEISS, Maria Lúcia Zemme. Psicopedagogia Clínica: Uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 5. ed. Rio de Janeiro, 1999.


VYGOTSKY, L. S. Formação Social da Mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.


VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica. Epistemologia Convergente. Porto Alegre, Artes Médicas, 1987.



ANEXOS


HIPERATIVOS FAMOSOS

Alexander Graham Bell - (1862-1939)
Inventor do telefone

________________________________________
Beethoven (1770-1827) – compositor

________________________________________
Jim Carrey – ator

________________________________________
Cher – atriz/cantora

________________________________________


Bill Cosby - ator

________________________________________
Tom Cruise - ator

________________________________________
Salvador Dali – pintor

________________________________________
Leonardo da Vinci - (1452-1519) – inventor/artista plástico

________________________________________
Walt Disney – (1901 - 1966 ) – criador do império “Disney”
(um editor de jornal o demitiu porque ele não tinha boas idéias)

________________________________________
Kirk Douglas - ator

________________________________________
Thomas Edison - (1847-1931) - inventor da lâmpada
(suas professoras disseram que ele era tão estúpido
que não seria capaz de aprender nada)

________________________________________
Albert Einstein - (1879-1955) – físico
(só falou com 4 anos e só leu com 7 anos)

________________________________________
Galilei (Galileu) - (1564-1642) – matemático/astrônomo

________________________________________


Danny Glover – ator

________________________________________
Whoopi Goldberg – atriz

________________________________________
Ernest Hemingway – escritor

________________________________________
Dustin Hoffman – ator

________________________________________
Magic Johnson – jogador de basquete

________________________________________
Micheal Jordan – jogador de basquete

________________________________________
John Lennon - (1940-1980) – compositor (um dos Beatles)

________________________________________
Abraham Lincoln - (1809-1865) – presidente dos EUA

________________________________________
Wolfgang Amadeus Mozart - (1756-1791) – músico

________________________________________
Napoleon Bonaparte - (1769-1873) – imperador

________________________________________
Sir Isaac Newton - (1642-1727) – cientista e matemático


________________________________________
Nostradamus - (1503-1566) – físico e profeta


________________________________________
Pablo Picasso - (1882-1973) – artista plástico


________________________________________
August Rodin - (1840-1917) – artista plástico/escultor



Muhammad Anwar al-Sadat - (1918-1981) – presidente egípcio,
ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1976


________________________________________
Socrates – filósofo


________________________________________
Steven Spielberg - diretor de cinema


________________________________________
Leo Tolstoy – escritor


________________________________________
Van Gogh – artista plástico

27 comentários:

  1. Trabalho extremamente fantástico.

    Parabéns

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  2. Parabéns! adorei seu trabalho!!!

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  3. parabéns ...
    gostei demais do trabalho...

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  4. Estou sem palavras, estou produzindo minha monografia que também é sobre tda/h, essa escolha caiu em minha vida por causa de meu filho Gláufer Junior, que é portador desse transtorno, mas o que quero dizer que seu trabalho é magnifico...PARABÉNS
    Gláucia Vaz

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  5. Seu trabalho veio somar à vontade de estudar mais sobre este transtorno mental. Que não paremos por aqui, mas que o nosso espirito de pesquisar e contribuir mais pela obra da educação continue vivo.Parabéns!

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  6. ADOREI SEU TRABALHO, O MEU OBJETO DE ESTUDO É SOBRE O TDA/H, E TAMBÉM ESTOU AMANDO. PARABENS.
    MICHELLY ARAÚJO

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  7. EXCELENTE TRABALHO! HÁ 4 ANOS DEPAREI COM UM CASO TIPICO DE TDAH, FIQUEI APAIXONADA. PASSEI A INTERESSAR PELO ASSUNTO E, HOJE ESTOU EM FASE DE CONCLUSÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLINICA E INSTITUCIONAL ABORDANDO TDAH. SEU TRABALHO VEIO ENRIQUECER AINDA MAIS MINHAS PESQUISAS. PARABENS.

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  8. obrigada pelas as palavras carinhosas

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  9. NOSSA! BOM DEMAIS!! MINHA MONOGRAFIA SERÁ SOBRE TDAH E AMEI ENCONTRAR O SEU TRABALHO POSTADO PARA TER MAIS BAGAGEM. OBRIGADA

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  10. AO PESQUISAR PARA FAZER MEU PROJETO, ENCONTREI SOBRE TDAH, FIQUEI APAIXONADA.SE JÁ GOSTAVA FIQUEI MAIS APAIXONADA AINDA AO LER SUA MONOGRAFIA. A MINHA MONOGRAFIA SERÁ COM CERTEZA SOBRE O TDAH.É UM ASSUNTO MARAVILHOSO, POIS VIVENCIAMOS NO NOSSO COTIDIANO. PARABÉNS!

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  11. ROFONSECASANTOS@HOTMAIL.COMdomingo, setembro 11, 2011

    ESTOU CONCLUINDO MEU TCC E FOI MT IMPORTANTE SEU CONTEXTO PARA MIM.
    OBRIGADA!
    ABRAÇOS, ROSANGELA

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  12. ESTOU ELABORANDO MEU PROJETO SOBRE TDAH E AO ENCONTRAR SUA MONOGRAFIA POSTADA, NOSSA! AMEI! ESTE ASSUNTO É MARAVILHOSO. A MINHA MONOGRAFIA SERÁ COM CERTEZA SOBRE TDAH. OBRIGADA.

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  13. SEU TRABALHO VEIO AGUÇAR AINDA MAIS A VONTADE DE REALIZAR MINHA MONOGRAFIA SOBRE ESTE SENSACIONAL ASSUNTO, O TDAH. LI E AMEI. PARABÉNS E OBRIGADA POR POSTAR PARA NÓS ALGO TÃO MARAVILHOSO E DE SUMA IMPORTÂNCIA PARA QUEM TEM INTERESSE EM REALIZAR TRABALHO SOBRE O ASSUNTO.

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  14. Oi Lucia adorei seu trabalho mu tema é tbm TDAH VC TEM ALGUMA DICA PRa mim.

    lilian.wolski@terra.com.br

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  15. Seu trabalho me ajudou muito, obrigada.

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    1. Olá Lucia, minha monografia da graduação sobre TDAH e na pós em psico foi filosofia na educação nas ADs uma delas TDAH.

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  16. Minha Infância
    1998 á 2004 Um olhar atento sobre a pesquisa Escolar de Rafael PC ajuda a entender o impacto que o TDAH pode ter na trajetória de um indivíduo.

    Meu TDAH http://rafael-pc.blogspot.com/
    Foi conforme pesquisa que eu pude me identificar e não desistir tão fácil assim dos meus sonhos, tendo ciência de uma esperança para trata um problema que me acompanha e vem me lesando desde a infância no período de 1998 ate os dias de hoje, acredito que tudo que encontrei sobre TDAH possa me ajudar. Será que passarei no Vestibular da UFMG tendo Déficit de Atenção?

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    1. Sim, você passou.

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    2. Com certeza Rafael!!! vc precisa s/preparar; isso vale p/tdos os vestibulandos, portando é; estudar, estudar e estudar.
      E qto ao TDAH, caso vc ñ tenha procurado ajuda médica é sempre bom vc ter esse acompanhamento, e vida normal.
      Boa sorte.
      Ah! sou professora e trabalho c/çças especias, já tive vários alunos c/TDAH e ñ observei grandes diferenças, apenas uma necessidade maior de atividades variadas e paciência, tanto da profª e do aluno tbém.

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  17. Preciso fazer minha monografia,termino minha faculdade final do ano.Queria fazer sobre violência sexual,mas lendo essa monografia postada me apaixonei,se puderem me de dicas,não sei nem por onde começar.Desde já agradeços a todos.bjus.email,silmorena_1605@hotmail.com

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  18. oi ,seu trabalho me ajudou muito grata.

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  19. Oi seu ótimo trabalho me ajudou muito grata , um abraço forte.

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  20. ola, sua pesquisa sobre TDAH esta maravilhosa é tudo que eu queria saber, pois me interessei pelo o assunto devido as hipóteses de que minha filha possa ser portadora do deficit de atenção. Por esse motivo resolvi fazer meu TCC sobre o TDAH para descobrir mais sobre o assunto.

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  21. ola! amei o seu trbalho. parabéns. me serviu como fonte de inspiração. eliane luna

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  22. alô! parabéns pelo seu artigo pois , ele está completo de informações preciosas. é uma fonte inspiração e esclarecimento para todos . eliane luna

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  23. Estou concluindo me TCC sobre TDAH e adorei se trabalho me esclareceu muitas dúvidas, escolhi esse tema por que tenho um filho com TDAH e sei o que é o problema já estudei muito sobre o assunto.

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SEU OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE